A vida é marcada por traumas, todo mundo sabe disso. A minha em especial, é uma coisa de louco! Nunca vi coisa parecida. Só pra começar a lista, tem aquela(s) vez(es) que o carro me molhou: lá estava eu, toda arrumadinha pro recital de ballet, com o coque mais apertado do mundo, gel de cabelo até na alma, maquilagem com muuuuito glitter, esperando, na parada do ônibus, o tiozinho ter a bondade de aparecer pra eu subir e seguir caminho ao meu show. Mas, nããão, o cara tinha que atrasar justo naquele dia, o mais úmido e chuvoso do ano! Aí, impaciente como sempre, levantei do banco pra tentar avistar o bendito meio de transporte. Aconteceu. Um Fiat vermelho passou, na maior velocidade do mundo, por cima de uma poça de lama, fazendo jorrar toda aquela água imunda sobre a minha pequeníssima pessoa! Foi-se tudo: cabelo, collant, maquilagem, boa parte do glitter! AI, QUE ÓDIO! foi meu primeiro pensamento, o bom é que minha mãe me ensinou a não falar palavras feias, porque, caso contrario, o cidadão (porque são só os homens que fazem tais crueldades) teria arranjado tanta mãe aquele dia!
Sem mencionar da vez que o macaco fugiu no zoológico pra me pegar. Aquele taradinho!!!Vou contar: minha turma da sétima série foi à uma excursão no zoo da nossa cidade, e é claro, como toda boa curuminha que num pára quieta, eu e minhas amigas resolvemos ir tomar refri daquelas maquininhas de refrigerante de latinha (umas que tu coloca a cédula, aperta botão e espera a latinha rolar pelo buraco). Por um infeliz acaso, a máquina ficava do lado do lago dos macacos-aranha. Desastre. Por um outro infeliz acaso, era hora de alimentar os bichos, e como o lugar onde eles ficam é cercado por um fosso, os funcionários só chegam lá de canoa. Aí imagine a cena: o tiozão atravessou o fosso e deixou o barquinho na beiradiha pra poder deixar a comida dos macacos certinho, aí, um gaiato, que minhas amigas batizaram de "taradinho", (não me pergunte como) remou até o nosso lado da região. No começo, todo mundo achou divertido, "nossa, que interessante", mas o bicho pirou. Ele começou a correr solto no zoo, e, como sou imã pra desastre, ele pulou logo em cima de quem?? De mim! A mais desesperada de todas! Foi uma gritaria só. Eu, toda esganiçada e descabelada, o taradinho, todo enxeridinho, e o administrador do zoo, mais tarde, gritando com o tiozão da alimentaçao, e tadinho, nem foi culpa dele.
Hoje a gente ri desses acontecimentos. Mas eu não consigo evitar a vergonha quando meu tio resolve narrar os fatos para a galera quando tem almoço na piscina de casa. Coisa de louco, mesmo.
domingo, 26 de dezembro de 2010
sexta-feira, 12 de novembro de 2010
Chovendo peixe na minha horta?
Domingo incomum esse que passou. Acordei cedo para fazer a tão esperada prova do vestibular, muito grogue por causa do sono de ter dormido apenas 5 horas, louca pra comer peixe desde a semana passada, pegeui meu romo à universidade, onde seria minha prova.
Quando chegeui lá, o fiscal de prova tinha uma cara de mal amado; na minha sala só tinha Gabriel e as questões eram patéticas, como se já não bastasse ouvir, o ano inteiro, que o vestibular não é brincadeira. Verdade, não é brincadeira; é palhaçada.Mas, deixa pra lá, ainda não termineir a história.
Quando acabei de esperar, (pelo tempo de saída, por meu irmão sair, por meu pai chegar pra me buscar, pela dor no joelho passar) fomos todos decidir onde almoçar.
"O que vocês querem comer?" meu pai perguntou à mim e ao meu irmão mais velho, Carlos.
"Ah, sei lá" foi a resposta imediata do Carlos.
"Peixe" respondi.
Então, como sempre, começaram as votações super democráticas: ninguém pondera sobre as opções dadas e escolhem tudo na última hora. Nenhum deles, aparentemente, queria comer peixe, aí eu considerei logo como causa perdida. Veio a resposta da minha irmãzinha:
"Vamo comer no La Cantante, lá que tem o peixe da Gabie".
Eca, o peixe de lá é podre! pensei eu.
"Não, a comida de lá é gelada!" reclamou Carlos.
Minha mãe, conhecedora do despreço de meu pai em relação ao La Cantante, mudou rapidinho a alternativa:
"Então, vamos todos comer no Violinn"
Considerei a sugestão; ainda não havia comido no Violinn, apesar de, segundo a cidade, ser muito bom, e é da família (parentes bem distantes). Por que não? Derrepente até tem peixe lá.
"La Cantante" minha irmã começou a torrar.
O pessoal da escola sempre vai lá no Violinn, vai ver eu encontro alguém por lá!
Em linhas gerais, era um bom restaurante, não era o melhor que eu já tinha ido, mas bem agradável: self-service, comida quentinha, clientela bem interessante, etc.
Acabei me esquecendo do peixe, me servi de patitas (mini-chicken) e churrasco. Todos alegre e sorridentes (apesar de ainda preferir ficar dormindo em casa), sentamos e pedimos o refrigerante-nosso-de-cada-dia: Coca-Cola.
Foi aí que eu o vi pela primeiríssima vez, andando em direção à passagem entre as mesas, procurando um lugar pra sentar; moreno, olhos azuis, pele branca, cabelo meio encaracolado, meio liso: encaracoliso. Tooooodo gato! De jeans e camisa azul-marinho, aparentemente olhando em minha direção (deve ter sido fruto da minha imaginação). Nunca o tinha visto pela cidade antes. Eu não conheço todo mundo, mas tenho uma boa idéia dos gatinhos mais fofos da província, e esse aí não fazia parte da minha lista. Até aquele momento.
Sua família sentou-se um pouco distante, logo atrás da mesa onde a galera da escola estava. Fiz sinal para minha amiga Julie (ela, sim, conhecia todos os gatinhos mais fofos) e perguntei quem era o garoto. Ela também não conhecia.
O pessoal do terceirão passava mas ninguém parecia conhecê-lo. E, pensando bem, ele fazia o tipo de menino reservado, estudioso, não daqueles CDFzinhos, mas dedicado aos estudos; diria que tinha uns 16 ou 17 anos no máximo. Não parecia ser atleta e nem mesmo sedentário. Muito sério, mas não irritado, apenas conformado com alguma coisa.
Continuei a comer, olhando para o meu prato. Pensei que poderia ter colocado mais comida só pra ter uma desculpa para ficar mais tempo lá dentro. Quando olhei para checar o que o fofo estava fazendo, ele permanecia sentado, me fitando. Uh. "talvez não seja só a minha imaginação".Desviei rápido o olhar, corando por ter sido pega olhando para ele.
Me distraí um pouco comendo e nem percebi quando ele se levantou para servir-se; só me dei conta disso quando ele estava bem perto da minha mesa; ao olhar pra cma, lá estava ele, me olhando novamente. Dessa vez, foi ele quem desviou o olhar, corando. Que gracinha! Só quando eu tive certeza de que ele estaria de costas que eu arrisquei uma olhada. A camisa era lisa na frente e estampada atrás, estampa de peixe. Achei muito engraçado, até mesmo irônico, que há meia hora atrás eu estava louca por peixe, e naquele momento, me apareceu um garoto suuuper gracinha, claramente interessado em olhar para mim, com a camisa estampada de peixe.
Ele se demorou muito para voltar, eu não o achava em lugar algum à vista. E foi só quando eu estava quase acabando a refeição que, finalmente, o avistei no balcão da balança, aguardando na fila. Me fitando, denovo.
Me levou uns dois segundos para me lembra que não nos conhecíamos e que, por isso, não seria normal ficar olhando; e gastei masi um segundo para lembra de ficar envergonhada, olhar pra baixo e corar. Mas, pelo canto do olho eu vi, que ele não se preocupou em desviar o olhar, nem mesmo corar.
Aaaaiin, que lindinho que ele é!!
Ainda não sei o nome dele, nem mesmo falei um oi de longe. Mas que ele ficou na minha cabeça por um bom tempo, ele ficou!
Quando chegeui lá, o fiscal de prova tinha uma cara de mal amado; na minha sala só tinha Gabriel e as questões eram patéticas, como se já não bastasse ouvir, o ano inteiro, que o vestibular não é brincadeira. Verdade, não é brincadeira; é palhaçada.Mas, deixa pra lá, ainda não termineir a história.
Quando acabei de esperar, (pelo tempo de saída, por meu irmão sair, por meu pai chegar pra me buscar, pela dor no joelho passar) fomos todos decidir onde almoçar.
"O que vocês querem comer?" meu pai perguntou à mim e ao meu irmão mais velho, Carlos.
"Ah, sei lá" foi a resposta imediata do Carlos.
"Peixe" respondi.
Então, como sempre, começaram as votações super democráticas: ninguém pondera sobre as opções dadas e escolhem tudo na última hora. Nenhum deles, aparentemente, queria comer peixe, aí eu considerei logo como causa perdida. Veio a resposta da minha irmãzinha:
"Vamo comer no La Cantante, lá que tem o peixe da Gabie".
Eca, o peixe de lá é podre! pensei eu.
"Não, a comida de lá é gelada!" reclamou Carlos.
Minha mãe, conhecedora do despreço de meu pai em relação ao La Cantante, mudou rapidinho a alternativa:
"Então, vamos todos comer no Violinn"
Considerei a sugestão; ainda não havia comido no Violinn, apesar de, segundo a cidade, ser muito bom, e é da família (parentes bem distantes). Por que não? Derrepente até tem peixe lá.
"La Cantante" minha irmã começou a torrar.
O pessoal da escola sempre vai lá no Violinn, vai ver eu encontro alguém por lá!
Em linhas gerais, era um bom restaurante, não era o melhor que eu já tinha ido, mas bem agradável: self-service, comida quentinha, clientela bem interessante, etc.
Acabei me esquecendo do peixe, me servi de patitas (mini-chicken) e churrasco. Todos alegre e sorridentes (apesar de ainda preferir ficar dormindo em casa), sentamos e pedimos o refrigerante-nosso-de-cada-dia: Coca-Cola.
Foi aí que eu o vi pela primeiríssima vez, andando em direção à passagem entre as mesas, procurando um lugar pra sentar; moreno, olhos azuis, pele branca, cabelo meio encaracolado, meio liso: encaracoliso. Tooooodo gato! De jeans e camisa azul-marinho, aparentemente olhando em minha direção (deve ter sido fruto da minha imaginação). Nunca o tinha visto pela cidade antes. Eu não conheço todo mundo, mas tenho uma boa idéia dos gatinhos mais fofos da província, e esse aí não fazia parte da minha lista. Até aquele momento.
Sua família sentou-se um pouco distante, logo atrás da mesa onde a galera da escola estava. Fiz sinal para minha amiga Julie (ela, sim, conhecia todos os gatinhos mais fofos) e perguntei quem era o garoto. Ela também não conhecia.
O pessoal do terceirão passava mas ninguém parecia conhecê-lo. E, pensando bem, ele fazia o tipo de menino reservado, estudioso, não daqueles CDFzinhos, mas dedicado aos estudos; diria que tinha uns 16 ou 17 anos no máximo. Não parecia ser atleta e nem mesmo sedentário. Muito sério, mas não irritado, apenas conformado com alguma coisa.
Continuei a comer, olhando para o meu prato. Pensei que poderia ter colocado mais comida só pra ter uma desculpa para ficar mais tempo lá dentro. Quando olhei para checar o que o fofo estava fazendo, ele permanecia sentado, me fitando. Uh. "talvez não seja só a minha imaginação".Desviei rápido o olhar, corando por ter sido pega olhando para ele.
Me distraí um pouco comendo e nem percebi quando ele se levantou para servir-se; só me dei conta disso quando ele estava bem perto da minha mesa; ao olhar pra cma, lá estava ele, me olhando novamente. Dessa vez, foi ele quem desviou o olhar, corando. Que gracinha! Só quando eu tive certeza de que ele estaria de costas que eu arrisquei uma olhada. A camisa era lisa na frente e estampada atrás, estampa de peixe. Achei muito engraçado, até mesmo irônico, que há meia hora atrás eu estava louca por peixe, e naquele momento, me apareceu um garoto suuuper gracinha, claramente interessado em olhar para mim, com a camisa estampada de peixe.
Ele se demorou muito para voltar, eu não o achava em lugar algum à vista. E foi só quando eu estava quase acabando a refeição que, finalmente, o avistei no balcão da balança, aguardando na fila. Me fitando, denovo.
Me levou uns dois segundos para me lembra que não nos conhecíamos e que, por isso, não seria normal ficar olhando; e gastei masi um segundo para lembra de ficar envergonhada, olhar pra baixo e corar. Mas, pelo canto do olho eu vi, que ele não se preocupou em desviar o olhar, nem mesmo corar.
Aaaaiin, que lindinho que ele é!!
Ainda não sei o nome dele, nem mesmo falei um oi de longe. Mas que ele ficou na minha cabeça por um bom tempo, ele ficou!
sábado, 6 de novembro de 2010
Passatempo
Estava em casa um dia desses, dia que nada é legal o suficiente para divertir, desses dias super entediantes, que você topa qualquer coisa para se manter ocupada. Meu pai tava de folga do trabalho, e minha mãe em mais uma viagem ao interior do estado. Internet tava um porre, nunca mais acompanhei uma novela se quer, e na rádio tocava música eletrônica (nada contra, só não é o melhor som pra ouvir em dias como esse, pelo menos não pra mim).
Meu pai sempre foi fanático por futebol, ele e meu irmãozinho sempre fizeram birra pra controlar a tv maior em dia de jogo...o que chega a ser, deixa eu ver, quase todo dia!!! Então, eu, com o meu super poder de tirar as pessoas do sério, sentei na sala, ao lado do meu irmãozinho para acompanhar o jogo com eles...tenho que confessar que foi divertido! Apesar da minha aversão à futebol, esse dia me agradou muito, vejam bem: Mengão (uôôh, meeengooo) x Vasco. É claro que só foi divertido por causa que o papai e o pirralho torcem pro Vasco. Na minha grande experiencia e exepcional dom de irritar, comecei a fazer perguntas sobre as regras do jogo, umas eu conhecia, mas em geral, não fazia idéia do porquê do impedimento. O Jairzinho foi o primeiro a perder a paciência:
"Ah, fica quieta Mariana. Deixa a gente assistir o jogo!!"
Estava oficialmente iniciada a temporada de encheção de saco.
"Mas eu só perguntei por que o careca feioso levou cartão, poxa, só é isso Jair, dava pra você me contar, por favor?!!"
Hehehehe.
"Ô paiê, olha a Mari aqui!! Diz pra ela se calar, por favor."
"..."
cri-cri-cri... Adooooro meu pai: já tava dormindo no sofá!
"Pegaaa!" gol do vasco.
"GOOOL, MEEENGOO"
Nem preciso dizer a reação do Jairzinho né?!! Desde então, nenhum outro jogo foi igual. Eu continuei com o ritual até que eles desistissem de assitir a todo jogo que passasse...agora, eles só assitem aos jogos do time da casa, ou as decisões importantes pro jogo. Até hoje não sei o nome de nenhum jogador, soh o Edimundo, lógico. O Jairzinho quase teve um treco quando eu o chamei de careca feioso!!
quarta-feira, 13 de outubro de 2010
O Que Mais Machuca
Eu aguento a chuva no teto dessa casa vazia, isso não me incomoda
Eu aguento algumas lágrimas de vez em quando e apenas deixá-las rolar
Eu não tenho medo de chorar de vez em quando,
Apesar de que continuar sem você me chateia
Há alguns dias que eu finjo estar bem,
mas não é isso que me intriga...
É difícil de lidar com a dor de ter perdido você em todos os lugares que vou
Mas estou persistindo
É difícil forçar aquele sorriso quando vejo nossos velhos amigos. E eu estou sozinho
Ainda mais difícil levantar-se, vestir-se, viver com esse arrependimento
Mas eu sei que se pudesse refazer
Eu trocaria, daria todas as palavras que guardei em meu coraçao não-ditas
O que mais machuca foi estar tão perto
E ter tanto pra dizer
E ver você partir
E nunca saber o que poderíamos ter sido
E não ter percebido que estava amando você
Era o que eu estava tentando fazer...
segunda-feira, 11 de outubro de 2010
Osculum
Gramática. A matéria mais difícil de gostar que já existiu. Não que seja complicado ou chato que nem matemática, não, é que dá muito trabalho. Por mais que eu goste muito, principalmente porque é essencial pra carreira que se-Deus-quiser eu vou exercer, é coisa demais pra anlisar. Confesso que gramática não é minha melhor nota, não que eu não saiba, porque eu sei, mas dá preguiça. Ainda mais com essa minha memória lesada.
Mas, o negócio é o seguinte: o perigo mora bem no lugarzinho que a minha concentração acaba e minha imaginação começa a vaguear. Daí, num desses desvaneios, um especificamente doido, eu me encontrav na escola (prepare-se para algo terrível: é na escola que a minha mente sofre a influência maligna dos meus fiéis companheiros, sempre prontos pra difundir qualquer bom pensamento). Adivinha de que era aula? Pois é, a professora tinha deixado uma lista de exercício, daquele tipo de tarefa que não deveria existir: análise morfológica. Você deve estar pensando: pff, muito simples, mas me deixe terminar. Análise morfológica de cada palavra de um poema barroco, e detalhadamente.
o.O
A mulher deve ter perdido a noção.
Prosseguindo... Sentada em minha cadeira-azul-grande-e-confortável, muito fula da vida, eu me deparei com a seguinte palavra: BEIJO. "okay, essa é fácil" tadinha de mim, mal sabia eu que essa seria a análise mais louca de toda a minha-longa-vida-de-quinze-anos.
Beijo é substantivo simples, bem simples na verdade, mas é composto por várias emoções, e quando executado da maneira certa, é derivado de momentos marcantes na vida do sujeito, apesar da sua permanencia em sua forma primitiva. Alguns autores o chamaria de abstrato, mas beijo se concretiza num impulso de tocar os lábios da sua companhia, na paixão, no carinho e na intensidade do ato. E por falar em ato, beijo é também verbo transitivo bem direto, verbo de ligação entre dois corpos e duas almas, seguido por interjeiçoes e onomatopéias. Numa frase, é destacado o tipo de sujeito que mostra preferência pelo futuro mais-que-perfeito, onde prevalecerá o gerúndio desse verbo.
Quando eu lembro da cara da professora quando viu a minha resposta, dá até vontade de repetir a dose. Mas, eu vou ficar só nos beijos mesmo. Por enquanto.
Mas, o negócio é o seguinte: o perigo mora bem no lugarzinho que a minha concentração acaba e minha imaginação começa a vaguear. Daí, num desses desvaneios, um especificamente doido, eu me encontrav na escola (prepare-se para algo terrível: é na escola que a minha mente sofre a influência maligna dos meus fiéis companheiros, sempre prontos pra difundir qualquer bom pensamento). Adivinha de que era aula? Pois é, a professora tinha deixado uma lista de exercício, daquele tipo de tarefa que não deveria existir: análise morfológica. Você deve estar pensando: pff, muito simples, mas me deixe terminar. Análise morfológica de cada palavra de um poema barroco, e detalhadamente.
o.O
A mulher deve ter perdido a noção.Prosseguindo... Sentada em minha cadeira-azul-grande-e-confortável, muito fula da vida, eu me deparei com a seguinte palavra: BEIJO. "okay, essa é fácil" tadinha de mim, mal sabia eu que essa seria a análise mais louca de toda a minha-longa-vida-de-quinze-anos.
Beijo é substantivo simples, bem simples na verdade, mas é composto por várias emoções, e quando executado da maneira certa, é derivado de momentos marcantes na vida do sujeito, apesar da sua permanencia em sua forma primitiva. Alguns autores o chamaria de abstrato, mas beijo se concretiza num impulso de tocar os lábios da sua companhia, na paixão, no carinho e na intensidade do ato. E por falar em ato, beijo é também verbo transitivo bem direto, verbo de ligação entre dois corpos e duas almas, seguido por interjeiçoes e onomatopéias. Numa frase, é destacado o tipo de sujeito que mostra preferência pelo futuro mais-que-perfeito, onde prevalecerá o gerúndio desse verbo.
Quando eu lembro da cara da professora quando viu a minha resposta, dá até vontade de repetir a dose. Mas, eu vou ficar só nos beijos mesmo. Por enquanto.
quinta-feira, 7 de outubro de 2010
Espelho de Afrodite, Lança e Escudo de Aquiles
Existe algo peculiar na vida das garotas que as separam dos garotos. Além do óbvio, quero dizer. Porque todos sabem que meninas tem úteros e meninos, canais deferentes. Bem, talvez nem todos saibam disso, mas o ponto é que, fora a grande e evidente diferença, existe uma maior ainda, porém sutilmente disfarçada.
As meninas crescem de certo jeito, com certos ideais. Os meninos crescem sem jeito algum, e seus ideais não são exatamente ideais. Meninas querem ser princesas, aguardando por um príncipe com cavalo branco. Os meninos querem ser super heróis, que moram numa super base e que tenham super forças pra salvar o super mundo. Os meninos não querem a Casa da Barbie e as meninas não querem o mundo Hot Wheels.
Meninas amadurecem de forma dolorosa. Meninos, de forma embaraçosa. As garotas esperam serem galanteadas por rapazes vestidos de Tuxedos e com uma taça de champagne na mão. Rapazes querem jogar futebol num campo enlameado e comer muito hamburger com coca-cola. Garotas não querem virar a noite jogando Winning 11 e os rapazes não querem virar a noite numa festa do pijama.
%≠& e isso é um entendimento.
Mas existe um lado comum na situação menino/menina. Um garoto quer levar sua garota ao cinema, insistir em pagar a entrada, sentar juntinho e abraça-la quando assustada pelo filme. Uma garota quer ser convidada ao cinema pelo seu garoto, fazer docinho quando ele insistir em pagar a entrada, mesmo sabendo que isso iria acontecer de um jeito ou outro, ela quer sentar juntinho dele e se fingir de assustada só para esconder o rosto no ombro dele.
Um garoto quer ensinar sua garota a atirar ao alvo num parque de diversão só para ter uma desculpa por passar o braço ao redor dela, alinhar os rostos e falar baixinho em seu ouvido. Mesmo que, no final das contas, é ele quem vai acertar o bendito alvo pra poder ganhar um prêmio que nem vai ficar com ele, mas com ela.
Uma garota aceita o fato de não saber tiro ao alvo porque isso significa aulas particulares e os benefícios que implicam. E mesmo com as aulas, a diversão está em errar e pedir que ele ganhe-a um ursinho de pelúcia.
Os garotos querem ter musas inspiradoras de poesia e canções. As garotas querem ouvir boa música e ser a personagem de poesias. Os garotos regridem à época que queriam ser super heróis para salvar o mundo, porque agora existe uma certa pessoa, única pessoa, que vive nesse mundo, que é o mundo inteiro. As garotas regridem ao tempo em que esperavam por um príncipe num cavalo porque cavalgar com ele por toda eternidade seria suficiente e mais um pouco.
Os meninos jogam futebol para exibir suas habilidades esportivas às meninas. As meninas querem os meninos de Tuxedos para poder acompanhá-los com seus melhores vestidos.
&0% %0& isso é um entendimento.
Quando somos feitos um ao outro não tem como fugir. Mais cedo ou mais tarde vamos nos entregar à realidade e nos juntarmos aos nossos pingüins. E então não será mais simplesmente “nós somos” mas nos prepararemos para dizer que “nós fomos”.
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
o.O
No meio da madrugada escurecida pelo apagão, dois desconhecidos nossos travam uma luta épica.
C O que você tá fazendo acordada? Volte pra cama.
C Você não tá ouvindo?
C Ouvindo o que?
C Shhh...
Silêncio. Escuridão.
C Eu não ouvi nada. Vem pra cama.
C Eu vou lá fora.
C Tá doida? Sair nesse escuro...?
C Tem razão, me dá a lanterna.
CO que? Não! Você não vai sair desse quartoB
C Eu vou lá fora ver o que é esse barulho. Já volto.
C NãB espera que eu vou junto...
Um clique. A luz fraca da lanterna iluminou o cômodo.
Passos cautelosos para fora do cômodo.
C Me dá a lanterna.
C Não, é melhor que fique comigo...
C Ou você me dá a lanterna ou vai na frente, porque eu não consiB obrigada.
C Você tá vendo alguma coisa?
C Não, o barulho tá vindo lá debaixo.
C Você vai descer lá?!
C Vou.
C E-eu também.
Passos descendo a escada.
C Acho melhor desligar a lanterna, pra não alarmar ninguém.
C Não, é melhor deixarB ah ótimo, agora tá um breu.
Passos silenciosos pela sala. Um soco no estômago.
C Hu...B pra quê isso?
C Não segura meu braço!
C D-desculpas.
C Desculpas também.
Mais alguns passos silenciosos
C Para de puxar minha roupa!
C Você não está com medo?
C Eu não estou com medo!
C N-nem eu...
Um baque abafado.
C Au... meu dedinho achou o sofá...
C Se a lanterna estivesse ligada...
C Cala a boca.
Sons na cozinha.
C Tem alguém mexendo na geladeira... Fique perto de mim...
C Ok.
Um longo bipeB o microondas ligou. Um baque na geladeira agitou os vidros. A luz do eletrodoméstico acendeu mostrando uma figura esfregando a cabeça.
C Aaahhhh!
C Aahhh!
C Aahhh
Os três gritaram. A luz da casa voltou revelando quem estava lá.
C Maria?
C Señora...eu só queria um pouco de leite...
C Desculpe,Maria, eu pensei que fosse um ladrão.
C Señor...
Ele estava muito quieto, com expressão apavorada.
C Diego, é só a Maria.
C Señora...eu acho que eleB
Ela apontou para os shorts dele.
C Diego, você fez xixi nas calças?!!!
C Cala a boca.
C Hahahahahaha!
segunda-feira, 4 de outubro de 2010
Alissa
Eu conheci Alissa há dois anos. E desde aquele dia eu passei a saber o que a música realmente é. Foi sentado no auditório da escola que eu encontrei a inspiração para cada ato que ficou registrado na minha vasta memória. Me lembro muito bem da situação; uma coisa dessas simplesmente não é esquecida com o passar dos anos. Era mais um dia comum de aula, meus amigos usavam o tempo livre estudando para a prova de inglês que aconteceria no próximo dia, enquanto eu vagabundava pela escola (uma das vantagens de ter memória fotográfica é que você nunca precisa revisar verbo modal). Quando eu estava passando pelo auditório, ouvi alguém lá dentro, falando como se interpretasse alguma personagem de alguma peça. A curiosidade venceu e eu entrei, cauteloso para não atrapalhar qualquer coisa.
—Não, meu caro senhor, essas peças não estão à venda. Pois como poderia eu abrir mão de tamanha relíquia e tesouro inestimável? Como poderia eu me desfazer das recordações que possuo de minha amada? Raras recordações! Já não me serve mais o tempo para curar as feridas que foram abertas desde que a perdi! Já não me servem mais os lírios do campo para se lhes comparar a beleza tão imensurável! Ah, os dias se vão e em dores se parte meu coração! E eis que chegaram os dias em que digo: não tenho neles prazer; e eis que as forças se esvaem de meu corpo e desfalece em pesar a minha alma! Já não a vejo, mas vejo a essas peças que o senhor retém em suas mãos. E se as deixo de ter, como poderei eu suportar? Não, meu caro senhor, desse par não me aparto, pois se assim feito, aqui faço uso das verdades ditas por Heathcliff: “é indescritível a dor que sinto! Como posso viver sem minha vida? Como posso viver sem minha alma?”. E, meu senhor, já se fazem muitos os anos desde que minha amada esteve ao meu lado, mas são a esses pedaços, que reténs em mãos, que me apego. Por isso, vá; deixe me ficar com minha alma. Vá, senhor, e encontre a sua própria alma sem a qual não viveríeis.
Naquele instante eu já estava absorvido pela intensidade das palavras proferidas, e mais absorvido ainda pela criatura que as proferia. Ela era incrível e magnífica, sua beleza não era possível comparar com nenhuma das outras garotas que eu havia conhecido. Seus traços pareciam ser definidos por pincéis, e sua cor provinha de tinta óleo. A paixão ardia enquanto falava aquelas linhas. Foi inacreditável a frase cliché que veio a minha cabeça naquele instante, inacreditável por eu não usar clichés e muito menos acreditar naquele em particular. Mas não tinha como negar, foi amor à primeira vista, sim.
E foi daquele jeito, no mesmo estado de choque que permaneci por alguns minutos, enquanto a garota procurava por outra fala num livro que tinha em mãos. Mas não demorou muito pra eu ser vencido por um impulso incontrolável de ir conhecer a menina. Então eu me dirigi até a terceira fileira do auditório e me sentei. Durante meu percurso, a garota, mesmo ciente da minha presença, não interrompeu seus discursos, indo desde aquele primeiro desconhecido, passando por cartas de amor de grandes pensadores como Voltaire e Lord Byron, terminando no clássico Orgulho e Preconceito: “ ‘se irás me agradecer’, ele respondeu, ‘deixe que o faça por si mesma e mais ninguém. Que o desejo de conceder felicidade a ti possa acrescentar força aos outros incentivos que me motivam, não devo tentar negar. Mas sua família não me deve nada. Mesmo respeitando-os, creio que pensei somente em ti’. Elizabeth estava envergonhada demais para dizer algo. Depois de uma curta pausa, sua companhia acrescentou, ‘ És muito generosa para zangar-se comigo. Se seus sentimentos ainda são os mesmos que eram abril passado, diga-me de uma vez por todas. Minhas afeições e desejos permanecem imutáveis, mas apenas uma palavra sua me silenciará nesse assunto para sempre’ ”
Então a garota veio até a mim e perguntou como era que a sociedade moderna deixara morrer tamanha paixão nas palavras. Foi ali, no auditório da escola, num dia que tinha começado como qualquer outro dia que eu pude olhar dentro do mais belo coração que já existiu. Foi onde eu conheci Alissa, a inspiração para cada ato que fica registrado na minha vasta memória. Nós ficamos lá sentados e conversando sobre os grandes textos já escritos, a cultura perdida durante anos, os sentimentos que resultaram nas maiores obras do teatro e literatura. E a cada minuto, eu ficava ainda mais impressionado pela espontaneidade de Alissa.
Ela me ensinou a ver o mundo da sua forma, com compaixão e interesse em fazer diferença. Ela me ensinou a enxergar a verdade por detrás de palavras, me ensinou a música que se encontrava em cada parte de cada coisa. Ela me mostrou a música e me ensinou a cantá-la.
Os oito meses que se sucedeu desde aquele dia no auditório foram os mais felizes de toda a minha vida. Alissa e eu começamos a namorar dois meses depois daquela manhã e sempre que estávamos juntos, tudo ao redor cantava junto com a melodia que tocava em nossos corações. Ela era minha melhor amiga, confidente e companheira. Ela era a pessoa mais alegre que eu já havia conhecido, e o ar a sua volta emanava felicidade. Era perto dela que eu me sentia eu mesmo, era ao seu redor que eu era livre pra sentir aquilo que se deve sentir.
E foi numa tentativa de furto que terminou num trágico acidente foi que eu perdi Alissa. O mais trágico crime de todos, o que me tirou o chão, que fez meu mundo cair e o ar fugir dos meus pulmões. Dois homens encapuzados haviam invadido a casa dos pais de Alissa para roubar jóias e bens da família. Ao perceber o movimento, o pai de Alissa acionou a polícia, mas os criminosos os mantiveram como reféns, e recusando o rendimento, eles assassinaram o pai, a mãe e Alissa, à facadas.
Hoje, mesmo depois de um ano e quatro meses desde aquela noite horrível, eu não posso deixar de ver a beleza nas coisas que Alissa me ensinou a ver. Eu não posso deixar de acreditar nas pessoas, mesmo depois de que a minha confiança nas pessoas foi traída. Eu não posso deixar de ter fé em mim mesmo. Fé de que eu posso fazer diferença na vida de alguém da mesma forma que Alissa fez diferença na minha vida. Talvez não da mesma forma que Alissa fez, porque ela me trouxe luz e vida, mas impactar as pessoas que vivem ao meu redor. Pois de uma coisa eu tenho certeza: se aqueles homens pensassem como Alissa pensava, ela ainda estaria comigo. Se mais pessoas por aí pensassem como Alissa, e vissem a música e cantassem junto, a minha inspiração estaria aqui, compondo a mais bela canção.
Uma das vantagens de ter memória fotográfica, é que você não esquece de algumas coisas que poderiam escapar da suas lembranças por acidente. E é por isso que ainda vivo, porque Alissa ainda vive em mim, gravada pra sempre nas minhas memórias. As mais lindas memórias!
“Não, meu caro senhor, essas peças não estão à venda. Pois como poderia eu abrir mão de tamanha relíquia e tesouro inestimável? Como poderia eu me desfazer das recordações que possuo de minha amada? Raras recordações! Já não me serve mais o tempo para curar as feridas que foram abertas desde que a perdi! Já não me servem mais os lírios do campo para se lhes comparar a beleza tão imensurável!”
—Não, meu caro senhor, essas peças não estão à venda. Pois como poderia eu abrir mão de tamanha relíquia e tesouro inestimável? Como poderia eu me desfazer das recordações que possuo de minha amada? Raras recordações! Já não me serve mais o tempo para curar as feridas que foram abertas desde que a perdi! Já não me servem mais os lírios do campo para se lhes comparar a beleza tão imensurável! Ah, os dias se vão e em dores se parte meu coração! E eis que chegaram os dias em que digo: não tenho neles prazer; e eis que as forças se esvaem de meu corpo e desfalece em pesar a minha alma! Já não a vejo, mas vejo a essas peças que o senhor retém em suas mãos. E se as deixo de ter, como poderei eu suportar? Não, meu caro senhor, desse par não me aparto, pois se assim feito, aqui faço uso das verdades ditas por Heathcliff: “é indescritível a dor que sinto! Como posso viver sem minha vida? Como posso viver sem minha alma?”. E, meu senhor, já se fazem muitos os anos desde que minha amada esteve ao meu lado, mas são a esses pedaços, que reténs em mãos, que me apego. Por isso, vá; deixe me ficar com minha alma. Vá, senhor, e encontre a sua própria alma sem a qual não viveríeis.
Naquele instante eu já estava absorvido pela intensidade das palavras proferidas, e mais absorvido ainda pela criatura que as proferia. Ela era incrível e magnífica, sua beleza não era possível comparar com nenhuma das outras garotas que eu havia conhecido. Seus traços pareciam ser definidos por pincéis, e sua cor provinha de tinta óleo. A paixão ardia enquanto falava aquelas linhas. Foi inacreditável a frase cliché que veio a minha cabeça naquele instante, inacreditável por eu não usar clichés e muito menos acreditar naquele em particular. Mas não tinha como negar, foi amor à primeira vista, sim.
E foi daquele jeito, no mesmo estado de choque que permaneci por alguns minutos, enquanto a garota procurava por outra fala num livro que tinha em mãos. Mas não demorou muito pra eu ser vencido por um impulso incontrolável de ir conhecer a menina. Então eu me dirigi até a terceira fileira do auditório e me sentei. Durante meu percurso, a garota, mesmo ciente da minha presença, não interrompeu seus discursos, indo desde aquele primeiro desconhecido, passando por cartas de amor de grandes pensadores como Voltaire e Lord Byron, terminando no clássico Orgulho e Preconceito: “ ‘se irás me agradecer’, ele respondeu, ‘deixe que o faça por si mesma e mais ninguém. Que o desejo de conceder felicidade a ti possa acrescentar força aos outros incentivos que me motivam, não devo tentar negar. Mas sua família não me deve nada. Mesmo respeitando-os, creio que pensei somente em ti’. Elizabeth estava envergonhada demais para dizer algo. Depois de uma curta pausa, sua companhia acrescentou, ‘ És muito generosa para zangar-se comigo. Se seus sentimentos ainda são os mesmos que eram abril passado, diga-me de uma vez por todas. Minhas afeições e desejos permanecem imutáveis, mas apenas uma palavra sua me silenciará nesse assunto para sempre’ ”
Então a garota veio até a mim e perguntou como era que a sociedade moderna deixara morrer tamanha paixão nas palavras. Foi ali, no auditório da escola, num dia que tinha começado como qualquer outro dia que eu pude olhar dentro do mais belo coração que já existiu. Foi onde eu conheci Alissa, a inspiração para cada ato que fica registrado na minha vasta memória. Nós ficamos lá sentados e conversando sobre os grandes textos já escritos, a cultura perdida durante anos, os sentimentos que resultaram nas maiores obras do teatro e literatura. E a cada minuto, eu ficava ainda mais impressionado pela espontaneidade de Alissa.
Ela me ensinou a ver o mundo da sua forma, com compaixão e interesse em fazer diferença. Ela me ensinou a enxergar a verdade por detrás de palavras, me ensinou a música que se encontrava em cada parte de cada coisa. Ela me mostrou a música e me ensinou a cantá-la.
Os oito meses que se sucedeu desde aquele dia no auditório foram os mais felizes de toda a minha vida. Alissa e eu começamos a namorar dois meses depois daquela manhã e sempre que estávamos juntos, tudo ao redor cantava junto com a melodia que tocava em nossos corações. Ela era minha melhor amiga, confidente e companheira. Ela era a pessoa mais alegre que eu já havia conhecido, e o ar a sua volta emanava felicidade. Era perto dela que eu me sentia eu mesmo, era ao seu redor que eu era livre pra sentir aquilo que se deve sentir.
E foi numa tentativa de furto que terminou num trágico acidente foi que eu perdi Alissa. O mais trágico crime de todos, o que me tirou o chão, que fez meu mundo cair e o ar fugir dos meus pulmões. Dois homens encapuzados haviam invadido a casa dos pais de Alissa para roubar jóias e bens da família. Ao perceber o movimento, o pai de Alissa acionou a polícia, mas os criminosos os mantiveram como reféns, e recusando o rendimento, eles assassinaram o pai, a mãe e Alissa, à facadas.
Hoje, mesmo depois de um ano e quatro meses desde aquela noite horrível, eu não posso deixar de ver a beleza nas coisas que Alissa me ensinou a ver. Eu não posso deixar de acreditar nas pessoas, mesmo depois de que a minha confiança nas pessoas foi traída. Eu não posso deixar de ter fé em mim mesmo. Fé de que eu posso fazer diferença na vida de alguém da mesma forma que Alissa fez diferença na minha vida. Talvez não da mesma forma que Alissa fez, porque ela me trouxe luz e vida, mas impactar as pessoas que vivem ao meu redor. Pois de uma coisa eu tenho certeza: se aqueles homens pensassem como Alissa pensava, ela ainda estaria comigo. Se mais pessoas por aí pensassem como Alissa, e vissem a música e cantassem junto, a minha inspiração estaria aqui, compondo a mais bela canção.
Uma das vantagens de ter memória fotográfica, é que você não esquece de algumas coisas que poderiam escapar da suas lembranças por acidente. E é por isso que ainda vivo, porque Alissa ainda vive em mim, gravada pra sempre nas minhas memórias. As mais lindas memórias!
“Não, meu caro senhor, essas peças não estão à venda. Pois como poderia eu abrir mão de tamanha relíquia e tesouro inestimável? Como poderia eu me desfazer das recordações que possuo de minha amada? Raras recordações! Já não me serve mais o tempo para curar as feridas que foram abertas desde que a perdi! Já não me servem mais os lírios do campo para se lhes comparar a beleza tão imensurável!”
“...é [meu amor] que me mantém [vivo]. Se todo o resto perecesse e [ela] ficasse, eu continuaria, mesmo assim, a existir; e, se tudo o mais ficasse e [ela] fosse aniquilada, o universo tornar-se-ia para mim numa vastidão desconhecida, a que eu não teria a sensação de pertencer.”
Miss Cathy Earnshaw
sexta-feira, 24 de setembro de 2010
Well...
Mais um blog que eu crio. Vou tentar lembrar o endereço e senha dessa vez. Vixe, já esqueci!! Mas, por enquanto deixa eu me concentrar nas apresentações.
Primeiramente, eu sou estudante de ensino médio, mas não por muito tempo. Gosto de escrever, mas não prometo um padrão ou perfeição na língua portuguesa. Aliás, não prometo exclusividade da língua portuguesa...Ao mais, o blog falará por si próprio e por mim.
Primeiramente, eu sou estudante de ensino médio, mas não por muito tempo. Gosto de escrever, mas não prometo um padrão ou perfeição na língua portuguesa. Aliás, não prometo exclusividade da língua portuguesa...Ao mais, o blog falará por si próprio e por mim.
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