segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Osculum

Gramática. A matéria mais difícil de gostar que já existiu. Não que seja complicado ou chato que nem matemática, não, é que dá muito trabalho. Por mais que eu goste muito, principalmente porque é essencial pra carreira que se-Deus-quiser eu vou exercer, é coisa demais pra anlisar. Confesso que gramática não é minha melhor nota, não que eu não saiba, porque eu sei, mas dá preguiça. Ainda mais com essa minha memória lesada.
Mas, o negócio é o seguinte: o perigo mora bem no lugarzinho que a minha concentração acaba e minha imaginação começa a vaguear. Daí, num desses desvaneios, um especificamente doido, eu me encontrav na escola (prepare-se para algo terrível: é na escola que a minha mente sofre a influência maligna dos meus fiéis companheiros, sempre prontos pra difundir qualquer bom pensamento). Adivinha de que era aula? Pois é, a professora tinha deixado uma lista de exercício, daquele tipo de tarefa que não deveria existir: análise morfológica. Você deve estar pensando: pff, muito simples, mas me deixe terminar. Análise morfológica de cada palavra de um poema barroco, e detalhadamente.
o.O
A mulher deve ter perdido a noção.
Prosseguindo... Sentada em minha cadeira-azul-grande-e-confortável, muito fula da vida, eu me deparei com a seguinte palavra: BEIJO. "okay, essa é fácil" tadinha de mim, mal sabia eu que essa seria a análise mais louca de toda a minha-longa-vida-de-quinze-anos.
Beijo é substantivo simples, bem simples na verdade, mas é composto por várias emoções, e quando executado da maneira certa, é derivado de momentos marcantes na vida do sujeito, apesar da sua permanencia em sua forma primitiva. Alguns autores o chamaria de abstrato, mas beijo se concretiza num impulso de tocar os lábios da sua companhia, na paixão, no carinho e na intensidade do ato. E por falar em ato, beijo é também verbo transitivo bem direto, verbo de ligação entre dois corpos e duas almas, seguido por interjeiçoes e onomatopéias. Numa frase, é destacado o tipo de sujeito que mostra preferência pelo futuro mais-que-perfeito, onde prevalecerá o gerúndio desse  verbo.
Quando eu lembro da cara da professora quando viu a minha resposta, dá até vontade de repetir a dose. Mas, eu vou ficar só nos beijos mesmo. Por enquanto.

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